17 de Julho de 2010 - 17h12
Emir Sader: A esquerda e o Brasil
Atribui-se a um importante ex-ministro da ditadura militar a afirmação de que "melhor que um dia o PT ganhe, fracasse e aí vamos ter tranquilidade para dirigir o país". Independentemente de que ele continue a pensar isso hoje ou não, o certo é que fez muito bem para o Brasil o PT ter chegado ao governo através de Lula.
Não fracassou, ao contrário, mostrou extraordinária capacidade para governar e reverter a tendência estrutural mais grave que o Brasil arrastava ao longo dos séculos - a injustiça, a desigualdade, a exclusão social, marca profunda da forma que nossa história havia assumido desde a colonização, passando pela escravidão, pelos governos oligárquicos, pela ditadura militar e pelo neoliberalismo.
Ao contrário dos maus augúrios, foi construído o governo de maior credibilidade e apoio popular, de maior credibilidade internacional, de maior capacidade de dirigir o Estado brasileiro, protegendo a economia dos ataques especulativos, retomando o desenvolvimento econômico, no marco de um processo de distribuição de renda e de afirmação de direitos sociais, que nunca o Brasil havia conhecido, fortalecendo e não enfraquecendo a democracia.
Para a esquerda, governar significa, antes de tudo, desnaturalizar as injustiças, sobrepor os direitos ao mercado, fazer do Estado instrumento das grandes maiorias tradicionalmente postergadas, afirmar nossa soberania no plano externo e fazer dela alavanca para a soberania no plano interno. É não aceitar a redução do Estado a instrumento do mercado, é não aceitar a subordinação do país aos interesses das grandes potências que sempre nos submeteram ao atraso e a marginalidade, é buscar dar voz aos setores populares e não aceitar que a "opinião pública" seja formada pelas elites econômicas.
Ao governar, a esquerda não apenas não levou o Brasil à crise e a situações de insegurança e de instabilidade, como, ao contrário, soube conduzir o país frente a pior crise econômica internacional - que ainda afeta profundamente países do centro do capitalismo e os que, na periferia, seguiram subordinados ao comando das potências que geraram a crise.
Soube acumular reservas que servem como colchão externo e interno frente a situações de crise. Soube combinar desenvolvimento com aumento de salários, sem colocar em risco a estabilidade monetária. Soube fortalecer o Estado, para consolidar sua presença democrática, conquistando mais legitimidade para o Estado brasileiro que qualquer outro governo anterior.
O governo também faz bem à esquerda, recorda que seus objetivos dependem da construção de alternativas de governo da sociedade como um todo, da sua capacidade de construir blocos de forças com capacidade hegemônica na sociedade. Que as alianças tem que ser feitas para fortalecer os temas estratégicos do governo. Que tem que se governar para o conjunto do pais, com prioridade para os que representam as maiorias e sempre foram relegados. Que todo projeto vencedor, triunfa porque unifica a grande maioria, porque se transforma em projeto nacional, para ser hegemônico.
Um país que parecia ser destinado a ser governado pelas elites minoritárias, que o produziram e reproduziram como o país mais injusto, mais desigual, do continente mais inujusto e desigual, de repente vê criar-se em seu seio uma sensibilidade majoritariamente progressista, que privilegia as políticas sociais e não o ajuste fiscal, um país justo e solidário e não egoísta e mercantil. Bom para a esquerda e bom para o Brasil.
Fonte: Blog do Emir (Carta Maior)
sábado, 17 de julho de 2010
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Curiosidades sobre a praia do Jacaré em João Pessoa
Memórias de um bloguista
Depois de reconhecer a área fomos ao nosso primeiro passeio, o pôr do sol na Praia do Jacaré, em Cabedelo, outro município colado à João Pessoa. A praia é de Rio, o Paraíba, que nasce e morre no estado, segundo o guia do passeio. “O único no Brasil a nascer e morrer no mesmo estado”, disse ele. Mas não tenho certeza disso. A área é repleta de mangues preservados e algumas ilhas.
Mas o que vale a pena mesmo é o famoso pôr do sol ao som do Bolero de Ravel, tocado pelo saxofonista Jurandir. A lenda é que uma antiga francesa que habitava a beira do rio Paraíba criou o hábito de assistir o poente diariamente ao som do bolero e tomando vinho. Quando seu marido teve de voltar para a França, ela o acompanhou e desde então o Jurandir passou a manter o ritual. Diariamente, faça chuva ou faça sol ele entra na canoa e toca o bolero pra galera.
O cara está no guiness book como a pessoa que mais tocou a melodia no mundo. Já são mais de 3000 execuções. Por que o Bolero de Ravel? Porque ele dura os mesmos 17 minutos que o sol leva para se esconder.
Fraco esse pôr do sol, né?
Quem vai até lá tem três opções para assistir ao espetáculo. A primeira é sentar-se em um dos bares que ficam na beira do rio – e aí é preciso chegar cedo para pegar um bom lugar. Os bares cobram um couvert artístico na média de R$ 5,00. A segunda – que foi minha escolha – é pagar R$ 20,00 e entrar no catamarã. No barco você dá uma volta pelo Paraíba, tem a companhia de um guia que fala sobre história, geografia, hidrografia e curiosidades do estado e da cidade e ainda fica bem do lado do Jurandir na hora da música.
Taí o Jurandir do Sax na canoa
No vídeo abaixo dá pra ver o fim do show do Jurandir. Ele estava bem ao lado do nosso barco. O vento atrapalha um pouco a captação do som, mas dá pra ter uma idéia do tanto de gente que se junta lá para assistir.
Outro passeio bacana que fizemos foi o da Areia Vermelha. São umas ilhas que se formam a uns 800 metros da praia, de acordo com a baixa da maré. Embarcamos num barco (R$ 10 por pessoa) na praia do Poço (cerca de 20 minutos de onde estávamos) e em 15 minutos chegamos às ilhas de areia avermelhada – que eu nem achei tão avermelhada assim. O bacana de lá é a estrutura que montam para atender o público. Barcos-bares ancoram perto da areia e servem todo tipo de petiscos, pratos e bebidas. Em pouco tempo a ilha fica cercada de lanchas, jets e barcos.
Aquilo ao fundo são os barcos, lanchas, jets ancorados na ilha
A água é cristalina e muito rasa. Se você der sorte consegue até ver alguns peixes. Nós fomos brindados com a visita de um cardume de bagres. Bacana de ver, mas triste de constatar que eles aparecem atrás de comida que o povo joga na água. De farofa a restos de peixe. O cardume que vi estava se entupindo de farofa de lingüiça jogada por um grupo que chegou de lancha.
Os bagres e a tia jogando a linguicinha pra eles
A cidade de João Pessoa é bem arrumada, organizada e estruturada. Tem bons hotéis, bons restaurantes e a estrutura das praias urbanas também é muito boa. Entre os restaurantes vale destacar o Mangai, já estabelecido em Brasília, mas muito mais charmoso na capital paraibana. E também o Mango Café. Pequenino, bem decorado, aconchegante e com um excelente cardápio de wraps, saladas e cafés. Comi um cheesecake de goiaba lá que era algo divino. Chega fiquei triste de ter descoberto o local só no último dia.
O restinho do chessecake de goiaba e o chocolate quente
Para mim, que fui acompanhado de namorada, sogra e cunhada ainda rolou outro passeio: feiras de artesanato. Tudo que você imaginar é vendido nessas feiras. Lembrancinhas singelas como chaveiros e ímas de geladeira, camisetas “estive em JP e lembrei de você”, bordados, cerâmicas, doces. Uma infinidade!
Enfim, João Pessoa é uma cidade que ainda fará parte dos meus roteiros. Quem conhece pode perceber que não conheci quase nada do local. Então, fica a dívida para a próxima visita.
Fonte: Blog do Paulo Palavra às 21:46
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Após chuvas, Pernambuco luta para resgatar sua história e escolas
"Se eu puder, ajudar alguém a seguir adiante, alegrar alguém com uma canção, mostrar o caminho certo,cumprir meu dever como cristão, que é divulgar a mensagem que Cristo deixou, então minha vida não terá sido em vão".
Frase de uns dos
últimos discursos
de Martin Luther king
Martin Luther King
15 de Julho de 2010 - 0h00
Após chuvas, Pernambuco luta para resgatar sua história e escolas
A água que inundou parte de Pernambuco foi embora há vários dias, mas a destruição deixada pelas enchentes é tão grande que ainda está difícil encontrar uma escola de pé para as crianças estudarem. Do Ginásio Municipal de Palmares, a mais importante escola pública da cidade, só sobraram escombros. Foram abaixo mais de seis décadas de história. O que sobrou dos centros de educação, no lugar de aulas, agora têm desabrigados e doações.
Fonte: produção JG, texto da TV Vermelho.
Frase de uns dos
últimos discursos
de Martin Luther king
Martin Luther King
15 de Julho de 2010 - 0h00
Após chuvas, Pernambuco luta para resgatar sua história e escolas
A água que inundou parte de Pernambuco foi embora há vários dias, mas a destruição deixada pelas enchentes é tão grande que ainda está difícil encontrar uma escola de pé para as crianças estudarem. Do Ginásio Municipal de Palmares, a mais importante escola pública da cidade, só sobraram escombros. Foram abaixo mais de seis décadas de história. O que sobrou dos centros de educação, no lugar de aulas, agora têm desabrigados e doações.
Fonte: produção JG, texto da TV Vermelho.
Comissão aprova volta da exigência de diploma para jornalistas
Comissão aprova volta da exigência de diploma para jornalistas
Deputados aprovaram na Comissão Especial o substitutivo à PEC 386-A, do relator Hugo Leal (PSC/RJ). Assunto agora a plenário para ser votado em dois turnos.
A comissão especial criada na Câmara dos Deputados para examinar e dar parecer sobre a Proposta de Emenda à Constituição nº 386-A, do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), que discute o restabelecimento da exigência de diploma para jornalistas, aprovou, por unanimidade, o substitutivo do relator, deputado Hugo Leal (PSC-RJ). A PEC agora vai a plenário, provavelmente no esforço concentrado do início de agosto deste ano, onde terá que ser aprovada em dois turnos.
Pelo substitutivo, a Constituição passa a trazer de forma explícita que “a exigência de graduação em jornalismo e de registro do respectivo diploma nos órgãos competentes para o exercício da atividade profissional não constitui restrição às liberdades de pensamento e de informação jornalística”.
Em junho de 2009, o Supremo Tribunal Federal (STF) retirou a obrigatoriedade do diploma, sob o argumento de que essa exigência era inconstitucional e restringia a liberdade de expressão.
O relator Hugo Leal ressaltou em seu voto que é “descabida a preocupação, levantada por alguns, de se estabelecer, por meio dessa alteração constitucional, a reserva de direito dos que já exercem a atividade jornalística sem a graduação específica, tendo em vista que essa cláusula já constitui uma garantia constitucional, como bem afirma a Comissão de Constituição e Justiça”.
A Federação Nacional dos Jornalistas e os sindicatos filiados iniciam agora movimentação em torno da inclusão deste item na pauta de votação após o recesso parlamentar.
Fonte: Agência Câmara
14/07/2010 16:06
Comissão aprova volta da exigência de diploma para jornalistas
A comissão especial
Comissão temporária criada para examinar e dar parecer sobre projetos que envolvam matéria de competência de mais de três comissões de mérito. Em vez de tramitar pelas comissões temáticas, o projeto é analisado apenas pela comissão especial. Se aprovado nessa comissão, segue para o Senado, para o Plenário ou para sanção presidencial, dependendo da tramitação do projeto. que discute o restabelecimento da exigência de diploma para jornalistas aprovou há pouco o substitutivo do relator, deputado Hugo Leal (PSC-RJ), à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 386/09.
Pelo substitutivo, a Carta Magna passa a trazer de forma explícita que “a exigência de graduação em jornalismo e de registro do respectivo diploma nos órgãos competentes para o exercício da atividade profissional não constitui restrição às liberdades de pensamento e de informação jornalística”.
Em junho de 2009, o Supremo Tribunal Federal (STF) retirou a obrigatoriedade do diploma, sob o argumento de que ele restringe a liberdade de expressão.
A PEC agora irá a plenário, onde terá de ser aprovada em dois turnos.
A reunião da comissão especial já foi encerrada.
Tempo real:
15:51 - Começa leitura de parecer sobre exigência de diploma para jornalistas
Íntegra da proposta:
PEC-386/2009
Reportagem – Geórgia Moraes/Rádio Câmara
Edição – Marcelo Oliveira
Deputados aprovaram na Comissão Especial o substitutivo à PEC 386-A, do relator Hugo Leal (PSC/RJ). Assunto agora a plenário para ser votado em dois turnos.
A comissão especial criada na Câmara dos Deputados para examinar e dar parecer sobre a Proposta de Emenda à Constituição nº 386-A, do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), que discute o restabelecimento da exigência de diploma para jornalistas, aprovou, por unanimidade, o substitutivo do relator, deputado Hugo Leal (PSC-RJ). A PEC agora vai a plenário, provavelmente no esforço concentrado do início de agosto deste ano, onde terá que ser aprovada em dois turnos.
Pelo substitutivo, a Constituição passa a trazer de forma explícita que “a exigência de graduação em jornalismo e de registro do respectivo diploma nos órgãos competentes para o exercício da atividade profissional não constitui restrição às liberdades de pensamento e de informação jornalística”.
Em junho de 2009, o Supremo Tribunal Federal (STF) retirou a obrigatoriedade do diploma, sob o argumento de que essa exigência era inconstitucional e restringia a liberdade de expressão.
O relator Hugo Leal ressaltou em seu voto que é “descabida a preocupação, levantada por alguns, de se estabelecer, por meio dessa alteração constitucional, a reserva de direito dos que já exercem a atividade jornalística sem a graduação específica, tendo em vista que essa cláusula já constitui uma garantia constitucional, como bem afirma a Comissão de Constituição e Justiça”.
A Federação Nacional dos Jornalistas e os sindicatos filiados iniciam agora movimentação em torno da inclusão deste item na pauta de votação após o recesso parlamentar.
Fonte: Agência Câmara
14/07/2010 16:06
Comissão aprova volta da exigência de diploma para jornalistas
A comissão especial
Comissão temporária criada para examinar e dar parecer sobre projetos que envolvam matéria de competência de mais de três comissões de mérito. Em vez de tramitar pelas comissões temáticas, o projeto é analisado apenas pela comissão especial. Se aprovado nessa comissão, segue para o Senado, para o Plenário ou para sanção presidencial, dependendo da tramitação do projeto. que discute o restabelecimento da exigência de diploma para jornalistas aprovou há pouco o substitutivo do relator, deputado Hugo Leal (PSC-RJ), à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 386/09.
Pelo substitutivo, a Carta Magna passa a trazer de forma explícita que “a exigência de graduação em jornalismo e de registro do respectivo diploma nos órgãos competentes para o exercício da atividade profissional não constitui restrição às liberdades de pensamento e de informação jornalística”.
Em junho de 2009, o Supremo Tribunal Federal (STF) retirou a obrigatoriedade do diploma, sob o argumento de que ele restringe a liberdade de expressão.
A PEC agora irá a plenário, onde terá de ser aprovada em dois turnos.
A reunião da comissão especial já foi encerrada.
Tempo real:
15:51 - Começa leitura de parecer sobre exigência de diploma para jornalistas
Íntegra da proposta:
PEC-386/2009
Reportagem – Geórgia Moraes/Rádio Câmara
Edição – Marcelo Oliveira
terça-feira, 13 de julho de 2010
Madeira ilegal com os dias contados?
Madeira ilegal com os dias contados?
Revista Carta Capital
13/07/2010 11:54:53
Ethos comenta
Oded Grajew (*)
A União Europeia proíbe o comércio de madeira ilegal em seu território. A decisão terá impacto direto sobre a Amazônia brasileira
Depois de sete anos de discussões, promessas e adiamentos, a União Europeia decidiu proibir, a partir de 2012, o comércio de madeira sem garantia de origem em seus 27 países. O produto só terá permissão para entrar nesses territórios se os compradores puderem comprovar que rastrearam sua origem e dispõem de informações completas sobre todos os elos da cadeia produtiva, inclusive os nomes das pessoas responsáveis pelo corte das árvores e os locais de onde elas foram retiradas.
A legislação foi aprovada pelo Parlamento Europeu com 644 votos a favor, 25 contra e 16 abstenções. O texto da nova lei estipula que quem não tiver as informações solicitadas perderá a licença para operar. podendo, inclusive, ser preso. Isso vale tanto para os importadores de madeira quanto para os revendedores, a indústria moveleira, a construção civil, o varejo, enfim todos que operam com o produto.
A votação no Parlamento Europeu será agora encaminhada ao Conselho Europeu, o órgão que reúne os chefes de Estado e de governo dos 27 países, para ser homologada – já existe um acordo prévio para isso. Em seguida, cada país realizará sua própria regulamentação, prevendo os casos passíveis de condenação e as penas para os infratores.
A decisão terá impacto direto sobre a Amazônia brasileira, pois 47% da madeira consumida na Europa têm sua origem na região. É um golpe pesado no esquema que controla a exportação de madeira obtida de forma predatória. O produto é cortado ilegalmente e esquentado por esquemas de corrupção que envolvem empresas, e até funcionários públicos, numa trama que vai além da madeira.
Conexões Sustentáveis - De acordo com a pesquisa “Quem Se Beneficia com a Devastação da Amazônia”, realizada em 2008 pela Papel Social e pela ONG Repórter Brasil, os elos da devastação começam com a grilagem de terras públicas, o corte das árvores para limpeza do terreno, a entrada da pecuária e, em seguida, o plantio de grãos. A pesquisa também revelou que a maior parte dos produtos oriundos da devastação acaba chegando a São Paulo, direta ou indiretamente. Carne, madeira e grãos vêm da região amazônica praticamente direto para os consumidores. Já o carvão, outro derivado do desmatamento, é usado na fabricação do ferro gusa, fundamental para a indústria de autopeças.
Para mobilizar as cadeias de valor dos setores da pecuária e da madeira em prol da preservação da floresta em pé, o Fórum Amazônia Sustentável, o Instituto Ethos, o Movimento Nossa São Paulo e outras entidades organizaram a iniciativa Conexões Sustentáveis São Paulo–Amazônia.
Por meio de pactos setoriais, os agentes das principais cadeias de valor ligadas ao desmatamento comprometeram-se com o financiamento, a distribuição e a comercialização apenas de produtos com certificação (ou que estejam em processo de regularização) e provenientes de fornecedores que não façam parte da “Lista Suja do Trabalho Escravo” do Ministério do Trabalho nem estejam em áreas embargadas pelo Ibama.
A Prefeitura de São Paulo também se comprometeu a desenvolver políticas públicas que contribuam para uma Amazônia Sustentável. Bom exemplo desse compromisso é a Lei 15.120, de 15 de janeiro de 2010, que estabelece controle ambiental e social para a compra de carne bovina pelo município.
Além disso, prefeituras de vários municípios do Brasil também estão exigindo madeira com garantia de origem nas compras públicas.
Tais legislações, no entanto, ainda carecem de regulamentação. De qualquer maneira, tanto as iniciativas nacionais quanto a da União Europeia servem de exemplo para que Estados e municípios brasileiros adotem medidas semelhantes. Já é possível rastrear a madeira e, mais importante, a madeira legal já é um dos itens mais importantes da economia brasileira.
Em 2003, o Instituto de Economia Agrícola do Estado de São Paulo calculou que o PIB gerado pelo setor florestal brasileiro estava no patamar dos US$ 20 bilhões anuais. Dessa quantia, US$ 8 bilhões vinham da indústria da madeira, sendo que US$ 5,5 bilhões eram oriundos da exportação de madeira sólida vinda de florestas plantadas no Sudeste e Sul do país. O setor emprega 13% da população economicamente ativa do país.
Para acessar o texto aprovado em plenário pela União Europeia, clique aqui.
*Oded Grajew é presidente do Instituto Ethos e um dos participantes do Movimento Nossa São Paulo
Revista Carta Capital
13/07/2010 11:54:53
Ethos comenta
Oded Grajew (*)
A União Europeia proíbe o comércio de madeira ilegal em seu território. A decisão terá impacto direto sobre a Amazônia brasileira
Depois de sete anos de discussões, promessas e adiamentos, a União Europeia decidiu proibir, a partir de 2012, o comércio de madeira sem garantia de origem em seus 27 países. O produto só terá permissão para entrar nesses territórios se os compradores puderem comprovar que rastrearam sua origem e dispõem de informações completas sobre todos os elos da cadeia produtiva, inclusive os nomes das pessoas responsáveis pelo corte das árvores e os locais de onde elas foram retiradas.
A legislação foi aprovada pelo Parlamento Europeu com 644 votos a favor, 25 contra e 16 abstenções. O texto da nova lei estipula que quem não tiver as informações solicitadas perderá a licença para operar. podendo, inclusive, ser preso. Isso vale tanto para os importadores de madeira quanto para os revendedores, a indústria moveleira, a construção civil, o varejo, enfim todos que operam com o produto.
A votação no Parlamento Europeu será agora encaminhada ao Conselho Europeu, o órgão que reúne os chefes de Estado e de governo dos 27 países, para ser homologada – já existe um acordo prévio para isso. Em seguida, cada país realizará sua própria regulamentação, prevendo os casos passíveis de condenação e as penas para os infratores.
A decisão terá impacto direto sobre a Amazônia brasileira, pois 47% da madeira consumida na Europa têm sua origem na região. É um golpe pesado no esquema que controla a exportação de madeira obtida de forma predatória. O produto é cortado ilegalmente e esquentado por esquemas de corrupção que envolvem empresas, e até funcionários públicos, numa trama que vai além da madeira.
Conexões Sustentáveis - De acordo com a pesquisa “Quem Se Beneficia com a Devastação da Amazônia”, realizada em 2008 pela Papel Social e pela ONG Repórter Brasil, os elos da devastação começam com a grilagem de terras públicas, o corte das árvores para limpeza do terreno, a entrada da pecuária e, em seguida, o plantio de grãos. A pesquisa também revelou que a maior parte dos produtos oriundos da devastação acaba chegando a São Paulo, direta ou indiretamente. Carne, madeira e grãos vêm da região amazônica praticamente direto para os consumidores. Já o carvão, outro derivado do desmatamento, é usado na fabricação do ferro gusa, fundamental para a indústria de autopeças.
Para mobilizar as cadeias de valor dos setores da pecuária e da madeira em prol da preservação da floresta em pé, o Fórum Amazônia Sustentável, o Instituto Ethos, o Movimento Nossa São Paulo e outras entidades organizaram a iniciativa Conexões Sustentáveis São Paulo–Amazônia.
Por meio de pactos setoriais, os agentes das principais cadeias de valor ligadas ao desmatamento comprometeram-se com o financiamento, a distribuição e a comercialização apenas de produtos com certificação (ou que estejam em processo de regularização) e provenientes de fornecedores que não façam parte da “Lista Suja do Trabalho Escravo” do Ministério do Trabalho nem estejam em áreas embargadas pelo Ibama.
A Prefeitura de São Paulo também se comprometeu a desenvolver políticas públicas que contribuam para uma Amazônia Sustentável. Bom exemplo desse compromisso é a Lei 15.120, de 15 de janeiro de 2010, que estabelece controle ambiental e social para a compra de carne bovina pelo município.
Além disso, prefeituras de vários municípios do Brasil também estão exigindo madeira com garantia de origem nas compras públicas.
Tais legislações, no entanto, ainda carecem de regulamentação. De qualquer maneira, tanto as iniciativas nacionais quanto a da União Europeia servem de exemplo para que Estados e municípios brasileiros adotem medidas semelhantes. Já é possível rastrear a madeira e, mais importante, a madeira legal já é um dos itens mais importantes da economia brasileira.
Em 2003, o Instituto de Economia Agrícola do Estado de São Paulo calculou que o PIB gerado pelo setor florestal brasileiro estava no patamar dos US$ 20 bilhões anuais. Dessa quantia, US$ 8 bilhões vinham da indústria da madeira, sendo que US$ 5,5 bilhões eram oriundos da exportação de madeira sólida vinda de florestas plantadas no Sudeste e Sul do país. O setor emprega 13% da população economicamente ativa do país.
Para acessar o texto aprovado em plenário pela União Europeia, clique aqui.
*Oded Grajew é presidente do Instituto Ethos e um dos participantes do Movimento Nossa São Paulo
sexta-feira, 9 de julho de 2010
1ª Parte -Homenagem ao poeta Vinícius de Morais- 30 anos sem ele
Para viver um grande amor!!!
Para Viver Um Grande Amor
Toquinho
Composição: Toquinho / Vinicius de Moraes
Eu não ando só
Só ando em boa companhia
Com meu violão
Minha canção e a poesia
Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso.
Muita seriedade e pouco riso, para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher.
Pois ser de muitas, pôxa!, é pra quem quer, nem tem nenhum valor.
Pra viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro
E ser de sua dama por inteiro, seja lá como for.
Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada
E portar-se de fora com uma espada para viver um grande amor.
Eu não ando só
Só ando em boa companhia
Com meu violão
Minha canção e a poesia
Para viver um grande amor direito, não basta apenas ser um bom sujeito.
É preciso também ter muito peito, peito de remador.
É sempre necessário ter em vista um crédito de rosas no florista,
Muito mais, muito mais que na modista!
Para viver um grande amor.
Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas,
Molhos, filés com fritas - comidinhas para depois do amor.
E o que há de melhor que ir para a cozinha e preparar com amor uma galinha
Com uma rica e gostosa farofinha para o seu grande amor?
Eu não ando só
Só ando em boa companhia
Com meu violão
Minha canção e a poesia.
Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto,
E até ser, se possível, um só defunto pra não morrer de dor.
É preciso um cuidado permanente não só com o corpo, mas também com a mente,
Pois qualquer "baixo" seu a amada sente e esfria um pouco o amor.
Há que ser bem cortês sem cortesia, doce e conciliador sem covardia.
Saber ganhar dinheiro com poesia, não ser um ganhador.
Mas tudo isso não adianta nada se nesta selva escura e desvairada
Não se souber achar a grande amada para viver um grande amor.
Eu não ando só
Só ando em boa companhia
Com meu violão
Minha canção e a poesia
Homenagem ao poeta Vinícius de Morais- 30 anos sem ele
Soneto de Fidelidade
"De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure".
Vinícius de Morais
A Rosa de Hiroshima (Vinícius de Morais)
Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada
Pela Luz dos Olhos Teus (Vinícius de Morais)
Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar
Ai que bom que isso é meu Deus
Que frio que me dá o encontro desse olhar
Mas se a luz dos olhos teus
Resiste aos olhos meus só pra me provocar
Meu amor, juro por Deus me sinto incendiar
Meu amor, juro por Deus
Que a luz dos olhos meus já não pode esperar
Quero a luz dos olhos meus
Na luz dos olhos teus sem mais lará-lará
Pela luz dos olhos teus
Eu acho meu amor que só se pode achar
Que a luz dos olhos meus precisa se casar.
Vinícius de Morais
Eu sei e você sabe
Eu sei e você sabe
Já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe
Que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham a você.
Assim como o Oceano, só é belo com o luar
Assim como a Canção, só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem, só acontece se chover
Assim como o poeta, só é bem grande se sofrer
Assim como viver sem ter amor, não é viver
Não há você sem mim
E eu não existo sem você!
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